Viciados em Mediocridade – “Fruto Amargo” [Parte II]

19 out

Parte I | Parte II

Hoje estamos, infelizmente, em uma posição muito contrastante da época de Giorgio Vasari, que viveu no fim da alta renascença. Ele podia olhar para trás com admiração e encantamento ao contemplar as conquistas de seus companheiros artistas.

Hoje, como cristão interessado em artes e em iniciativas humanas criativas, olho ao redor e vejo um quadro bem diferente. Compare em sua mente a realidade de alguns séculos atrás.

Em nossos dias, as iniciativas cristãs nas artes são tipificadas pelos conteúdos das parafernálias e acessórios de sua livraria cristã mais próxima. Para a mesa de café, temos um conjunto de mãos unidas em oração confeccionadas com algum tipo de adubo prensado. Os pôsteres cristãos estão prontos para enfeitas suas paredes com pichações cristãs apropriadas para santificá-los e torná-los uma despesa justificável. Talvez um pequeno cubo plástico com uma semente de mostarda sepultada dentro dele a fim de aumentar a sua compreensão da fé. E, como se não bastasse, uma escova de dente com um versículo da Bíblia estampado no cabo, e um pente com uma ou duas frases cristãs de efeito impressas nele.

Sobre a prateleira frágil estão empilhados muitos CDs. Você pode escolhê-los aleatoriamente, com vendas nos olhos, pois a maioria conterá a repetição dos mesmos slogans espirituais de sempre, reciclados interminavelmente como alimento para os cristãos de nossos dias, cujos cérebros anestesiados pela televisão são incapazes de apreciar a boa música.

Ao sair da loja, as ondas sonoras estão entupidas por uma avalanche de escolha daquilo que geralmente pode ser resumido como lixo, pronto para obstruir sua tevê e seu rádio com programação “cristã”. As editoras produzem em série (medidas por toneladas) uma enormidade de páginas que mal podem ser chamadas de livros. Na maioria das vezes, esses agrupamentos de folhas são compostos pelos mesmos temas classificados como “Espirituais”, repetidos por escritores que estariam mais bem empregados em outro ramo de atividade.

Na verdade, sem tornar a lista interminável, poderíamos resumir dizendo que o mundo moderno cristão e aquilo que é conhecido como evangelicalismo estão marcados na área das artes e das iniciativas culturais por uma característica incontestável. Sua dependência da mediocridade.

Esta situação tem produzido frutos amargos, como a interrupção e a destruição dos instintos criativos dados por Deus aos indivíduos. Outros são atormentados por sentimentos de culpa indevidos ao tentar exercitar seus talentos em uma igreja que olha para eles com desconfiança, como se estivessem de algum modo agindo sem responsabilidade, em uma esfera da vida sem nenhuma espiritualidade. Como conseqüência, vivemos em um mundo sem alegria ao nosso redor, carente de Deus, da criatividade do home e da plenitude da redenção em Cristo. E, é claro, o fruto mais amargo dessa visão infeliz das artes é a erosão do consenso cristão.

Qualquer grupo que proposital ou inconscientemente abandona o caminho da criatividade e da expressão humana abre mão de seu papel efetivo na sociedade. Em termos cristãos, sua habilidade de ser o sal dessa sociedade é profundamente afetada.

Frank Schaeffer

Agora, comente! Ok?

Parte I | Parte II

Anúncios

Diga o que você achou!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: